terça-feira, 4 de abril de 2017

Opinião | "Lágrimas de Sal", de Pietro Bartolo e Lidia Tilotta


Título: Lágrimas de Sal
Autor(a): Pietro Bartolo e Lidia Tilotta
Editora: Editora Objectiva
N.º de Páginas: 208 páginas
Edição: 2017
Temática/Género: Não Ficção/Memórias e Testemunhos

Classificação: 5 estrelas


Sinopse:
Yasmin, Anwar, Omar, Samar, Kebrat: homens, mulheres e crianças que escaparam à guerra e à fome. São migrantes que chegaram às margens de Lampedusa em segurança. Mas há os que chegam à «ilha dos desembarques» sem vida. Pietro Bartolo conta-nos as suas histórias.

Nos últimos 25 anos, este médico tem acolhido, ajudado e prestado assistência médica aos migrantes. E ouviu-os. Contos de dor e esperança, histórias dos que não resistiram, dos que morreram no mar; histórias daqueles que perderam as suas famílias, de bebés que não chegaram a nascer. E há a alegria dos que sobreviveram à viagem através do deserto e do outro lado do mar e que agora procuram um futuro diferente. Estas histórias estão entrelaçadas com a história pessoal de Pietro, as dificuldades de um menino que cresceu numa família de pescadores e lutou para mudar o seu destino e o da sua ilha. Quando se tornou médico, não virou as costas e decidiu viver na linha da frente daquilo que é talvez considerado a maior migração em massa na história da Humanidade.


O autor é uma das personagens principais de Fogo no Mar, filme (documentário) de Gianfranco Rosi, vencedor do Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim 2016.




Opinião:
Os livros de não-ficção têm ganho um espaço cada vez mais expressivo aqui no blogue. Gosto de ler histórias com verdade, que estão próximas de nós.

Quando soube do lançamento deste livro decidi logo que teria que o ler. Um relato sobre histórias de migrantes que deixaram tudo para trás na esperança de uma vida melhor. 

Não só decidi lê-lo como também ir ao lançamento do livro (opinião em breve). O lançamento decorreu no Espaço Nimas, no passado dia 30 de Março com a presença dos autores, mas também de uma amiga que foi voluntária em Itália e na Grécia, através da Plataforma Para os Refugiados. Mas esta experiência vai ficar para outro dia.  

Pietro Bartolo, natural de Lampedusa, é médico há mais de 20 anos. É ele que recebe e acolhe os migrantes que chegam à ilha. É a ele a quem recorrem. Este é o seu testemunho, contado pela jornalista Lidia Tilotta. Um testemunho que oscila entre a sua própria história de vida e as histórias de mulheres, crianças, homens, jovens que fogem da guerra, da fome e querem, como todos nós, ter uma vida digna.

Este é um relato impressionante. Lemos a sua dor, as suas lágrimas, o seu sofrimento, o seu desespero por estes homens e mulheres. Mas lemos, também, a sua esperança que um dia o mar que envolve Lampedusa deixe de ser um "cemitério". 

Este não é só mais um livro. É uma causa, uma chamada de atenção para o mundo. Não podemos deixar que caia no esquecimento, como parece que aconteceu. Estas histórias não são de agora, de hoje, mas de há muitos anos. Não é nenhuma "moda". É uma realidade, que enquanto cidadãos e seres humanos não podemos esquecer.

É urgente a sociedade civil ler este livro, no sentido da consciencialização do que está a acontecer ao mundo. 

Não posso deixar de recomendar o documentário "Fogo de Mar", do realizador Gianfranco Rossi. Um verdadeiro murro no estômago.


Boas leituras.


Nota:
Este livro foi-me disponibilizado pela Editora Objectiva em troca de uma opinião honesta.

Para mais informações sobre o livro ver aqui.




4 comentários:

  1. Olá, Isa,
    Acredito que este seja um livro (e também o documentário) muito duro mas importante de ser lido.
    É, sem dúvida, uma situação demasiado grave para ser ignorada pela sociedade!
    Beijinhos

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    1. Olá Tita,
      É um livro um pouco duro, mas necessário. Gostei muito.
      Beijinhos e boas leituras

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  2. Olá,
    Parece ser mesmo daqueles livros bem duros mas que precisamos de ler, não sei se virei a ler o livro, mas certamente que vou ver o documentário!
    Beijinhos.

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    1. Olá!
      Sim é mesmo. Recomendo mesmo. Gostei mais do livro do que o documentário. Mas vê e depois quero saber a tua opinião :)
      Beijinhos e boas leituras

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